domingo, 12 de setembro de 2010

Flor


Procurei uma flor para plantar um jardim
Algo que não só folhagem tivesse,

Mas que produzisse novos e belos frutos.

Encontrei um dia uma flor que chorava sozinha
No canto deixada como se não valesse mais nada
Cinza ela estava, pálida, quase sem cor.

Ao olhar a flor me veio o encanto

Vontade de levar a flor a todo e qualquer canto
E cuidar dela com amor.

De todas era a flor mais linda

Que em toda minha vida

Pude um dia tocar.


Mas como felicidade minha é pouca

Minha flor morreu.

Não sei ao certo onde a perdi ou como

Não sei se ela fugiu, ou o que aconteceu.

Não sei se ela se matou ou se quem a matou fui eu.

E aí...


... Você para e se depara com a solidão. Percebe que o mundo já não é como era antigamente e que antigos planos e metas precisam ser resgatados, ou ainda renovados.
E aí você olha a realidade e sente falta de quem nunca teve, ou de quem tem ser nunca ter tido, ou ainda de quem teve sem ter tido e já não tem por essa ou aquela razão.

E aí você percebe que muito é ilusão própria, que a vontade de ter aquilo que sempre quis foi maior a ponto de mascarar, encobrir e sustentar algo que só em sua mente existia. E você percebe que mentia para si mesma. E percebe que seu mini-mundo é mudo.

E aí você respira e sente o cheiro da fumaça de cigarros que você não fumou, de perfumes que não são seus, e ouve o zumbido de sons que não produziu.
E aí você percebe que o mundo lá fora não vive a se enganar à toa, mas sim porque as pessoas estão vazias e tentam de qualquer forma preencher o espaço que nelas existe. E quem sou para julgar se fazem certo ou errado? Também me sinto vazia agora.

E aí sinto falta.
E aí me deixo entristecer.
E aí as pequenas coisas me abatem...

...
E aí os fantasmas do passado se sentem mais fortes porque percebem o vazio e o espaço crescendo e se valem disso para reviverem.
E aí resgato coisas que há algum tempo havia deixado para trás.

E aí decido levantar novas fortalezas em torno da muralha.

E aí decido levantar acampamento...

...
Tempo de deixar a terra secar e esperar pelo tempo certo de preparar o novo grão a ser plantado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

90


Não preciso de palavras para sentir,
Não preciso de palavras para pensar,

Não preciso de palavras para sorrir,

Nem mesmo para sonhar.


E com esperança sonhei,

Até o seu medo bloquear,
Coisas que você queria,
Mas não foi capaz de suportar.

Há muito que percebo

Teu jeito indiferente no falar.

Tua escrita não mais era

Senti gelado seu tocar.


Não mais me falava com ternura,

Tampouco com a doçura inicial.

No fundo penso que não me ama

E que nem sabe o que sente por mim afinal.


Agora é passado que me atormenta
É lamento que canto com dor,
É ferida que dói ainda aberta,
Choro amargo de quem sofre por amor.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vê!


Vê que o passado já não importa,
Que já não entres mais por essas portas
Que te levam a cair, e

Ri do que tem hoje, agora nas mãos,
Que dedica a ti mil e uma canções,
E que só deseja alegrar tua vida.

Dia de sol não faltará, nem mesmo dias floridos
Cheiro suave a embalar as noites.
Em nas paredes da casa quadros coloridos, e

Na sala do trono filhos, e a certeza de que a tormenta já é finda
E o barco em que navegas não é uma canoa furada.
Olha ao teu redor, vê, que já não te falta mais nada.

En mis brazos descansas y curas tus heridas. Conmigo tu vida tiene toda tranquilidad. Tu és mi sueño desde niña, un sueño que jamás me olvidé. És mi felicidad.

terça-feira, 24 de agosto de 2010


Hoje abrindo a boca cantaria um Fado
Daqueles em que a alma se entristece, lamenta e chora
Daqueles em que o coração se despedaça.

E no despedaçar do coração meus pés se moveriam num Flamenco
Daqueles fortes que batem no peito
Daqueles em que se sente o corpo atravessado por um facão.

Facão assassino da desconfiança
Que devasta e despedaça o Campo da Esperança
Que acaba aos poucos com o Amor.

Amor que agora desagua nas minhas lágrimas
Há muito tempo já secas
Mas que sentem o desembarque da dor.

Dor que em mim já não doia mais
Dor que em mim já não tinha mais voz
Dor que já era olhada com desprezo
Dor que agora me tomou.

E tomada pela tristeza saio trôpega de desencanto e desalento.
Mas tudo bem, eu me curo, eu aguento
Viver entre o Fado e o Flamenco.

Se...


... Acreditasse em mim não me cobraria,
Não apontaria ou olharia o passado.

Não deixaria que palavras soltas não dirigidas a você fizessem a diferença.

... Acreditasse de verdade no que sinto e no que te falo
Não deixaria que nada interferisse,
Não me pediria para "dizer a verdade" porque já saberia que ela é o que sai da minha boca.

... Acreditasse em mim não teria dúvidas.

Não se apegaria a coisas sem importância,

Não olharia o que te parece ruim.


Mas entendo que tudo são as marcas que outrora citei que te falam,

Mas entendo que as do teu passado falharam

E que esse é o preço que tenho que pagar.


Ainda que a distância nos contorne,

E as cicatrizes em você ainda cocem

Não aceito que como as falecidas me tome.


Pois nada que sai de mim é mentira,

Pois nada que sai de mim é invenção.

Pois já era tempo de acreditar no que te digo,

Tempo de saber que comigo não corre perigo,

Mais do que hora de conhecer qual o tom da minha canção.

Se pensa que minto ou te engano meu canto toma corpo de lamento

É triste saber que sua confiança não é de 100%

E saber que muito ainda tenho que conquistar.

Denúncia

Olhos meus
Que me denunciam
De propósito.
Olhos profundos
Concentrados demais
Serenos intensos
Me denunciam assim
Sem nenhum propósito.
Olhos doces
Tranquilos e naturais
Por vezes desligados
Percorrem por todos os lados
Calmamente te veem
Então me denunciam
Com um propósito.
Meus olhos
Da minha alma espelho
Me denunciam
Revelam meus segredos
Tão facilmente
Que nem preciso falar
Me comunico com
O olhar
Meus olhos falam
Por mim.
Me despem
A todo e a qualquer momento.
Olhos meus
Que denunciam
O que mais belo tenho por dentro.