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sábado, 6 de agosto de 2011

Calma aí!

Silêncio!

Cala-te e observa o mundo de fora
Pois não é hora de falar.
Quando o silêncio for por demasiado pesado
É momento do calmante se mostrar.

Silêncio aí dentro!

Cala-te e observa calada
Tua hora de expor ainda não é chegada
Teus sentimentos aqui não valem nada
Enxuga tuas lágrimas pois é hora de se recompor.

Silêncio!

Cala-te e observa apenas
Tua alma é para ti, temas
Pois momento propício jamais há de chegar
Em que abras tua boca e a compreensão se fará.

Silêncio agora!

Cala-te somente
E sê eternamente paciente
Calma com uma pluma que cai, como o som que sai na hora do estouro do espumante
Sê como um calmante.

Silêncio!

Cala-te!

A pílula fala...
A dor se instala.
O torpor se aproxima...
A solidão é prima.

Silêncio!

Cala-te eternamente!

A inconsciência consciente...
A lágrima constante.
O desligar-se do mundo...
O agito surdo.

Silêncio!

Cala-te!

Sempre...

quinta-feira, 28 de abril de 2011


Como lutar contra o tempo se o tempo é quem comanda lentamente a vida da gente?

Sinto falta do seu jeito de príncipe, sua delicadeza e carinho, sua entrega e disposição. Sei que tem muito a fazer, que se joga para que tudo dê certo, mas quando olho ao redor procuro e procuro. Cadê você?

Não quero ficar pedindo ou exigindo nada. Não quero ser egoísta, e não o sou, mas está tão pesado, tão difícil como está. Quando paro de pensar ouço "Sozinho".

"Por que você me deixa tão solta?

Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinha

Não sou nem quero ser o sua dona
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some? ... Onde está você agora?"

Tenho vontade de sair e ganhar o mundo, de apagar sentimentos, de conquistar e vencer. Tenho me sentido duvidosa quanto ao "nós". Milhares de ideias mirabolantes tem surgido, pensamentos esses que me esforço por esquecer. Sinto saudade.

Como a lua minguante meu coração vai errante de encontro ao que há. As questões interrogativas tem se tornado minhas amigas nas noites frias e solitárias. Sinto um certo abandono, um certo desligamento, porém, e por enquanto me contento e sigo. Persigo meus sonhos e quereres, cumpro com meus deveres.

Preciso de mais doses de você.

domingo, 12 de setembro de 2010

Hoje


Hoje tudo o que eu disser vai sair atravessado
Fraco e quase inaudível.
Minhas palavras não são ouvidas, não tem força
Não me fazem ser compreendida.

Hoje tudo o que eu fizer será feito com esforço
O golpe foi tremendo,
Já quase não me movo.
A espada ainda atravessa meu peito.

Hoje, se eu comer, não me farei satisfeita
Tamanho o vazio em mim
Perdida sem entender onde estão o começo e o fim
Atordoada pelo tiro de misericórdia.

Hoje meus olhos nada veem
Nada trazem também.
Meu coração silencioso e moribundo a largos passos se enfraquece
Nem meu corpo jogado na fogueira aquece
O frio no qual se abate minh' alma.

102 dias foram...
102...


Ya no estás a mi lado corazón, en él alma solo tengo soledad...

E aí...


... Você para e se depara com a solidão. Percebe que o mundo já não é como era antigamente e que antigos planos e metas precisam ser resgatados, ou ainda renovados.
E aí você olha a realidade e sente falta de quem nunca teve, ou de quem tem ser nunca ter tido, ou ainda de quem teve sem ter tido e já não tem por essa ou aquela razão.

E aí você percebe que muito é ilusão própria, que a vontade de ter aquilo que sempre quis foi maior a ponto de mascarar, encobrir e sustentar algo que só em sua mente existia. E você percebe que mentia para si mesma. E percebe que seu mini-mundo é mudo.

E aí você respira e sente o cheiro da fumaça de cigarros que você não fumou, de perfumes que não são seus, e ouve o zumbido de sons que não produziu.
E aí você percebe que o mundo lá fora não vive a se enganar à toa, mas sim porque as pessoas estão vazias e tentam de qualquer forma preencher o espaço que nelas existe. E quem sou para julgar se fazem certo ou errado? Também me sinto vazia agora.

E aí sinto falta.
E aí me deixo entristecer.
E aí as pequenas coisas me abatem...

...
E aí os fantasmas do passado se sentem mais fortes porque percebem o vazio e o espaço crescendo e se valem disso para reviverem.
E aí resgato coisas que há algum tempo havia deixado para trás.

E aí decido levantar novas fortalezas em torno da muralha.

E aí decido levantar acampamento...

...
Tempo de deixar a terra secar e esperar pelo tempo certo de preparar o novo grão a ser plantado.