terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Há alguns dias fui tomada de um sentimento novo, de um misto de sentimentos, após ouvir de uma criança, fruto de minorias, que não falaria comigo porque "não gostava de gente "preta". Mix de vergonha alheia e indignação me tomaram e tudo o que fiz foi olhar aquela criança e me calar. Criança... Criança como as centenas que já passaram por minhas mãos em 13 anos como professora, criança como as centenas que já abracei em momentos descontraídos ou difíceis, criança como as dezenas que, por motivo ou outro, eu quis ajudar. E eu a quis ajudar...

Não ouvi nenhum pedido de desculpa dessa criança, não ouvi nenhum pedido de desculpa dos responsáveis por tal criança. E como esse silêncio me diz! Porém, se tal fosse feito hoje ou se for feito algum dia, nada mais me dirá. Derramado o caldo foi.

Tristemente não consigo mais agir naturalmente com essa criança. Sem brincadeiras, sem graça, sem sorrisos... Minha memória me joga no passado, naquele dia que para mim não marcou. Me marcou. Infelizmente sou julgada por isso. E quem julgou a criança? Ainda assim prefiro que tenha sido comigo a ter sido com minha sobrinha, ou com um/a filho/a, ou com um pequeno indefeso porque sei me defender de tais apontamentos, mas não permitiria que o mesmo passasse como passou.

Pode até ser que você pense que é bobagem, que é coisa de criança, que estou errada, só que, no meu entendimento, a falta de retratação soou, e ressoa como um "quem cala consente". Consentimento que é nó amargo preso em minha garganta.

E o que você pensa? O que pensa você acerca do racismo infantil?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Então...

Borboleta em casulo se abre
Aos poucos estica as asas
Se espreguiça procurando repouso
Para depois ganhar seu espaço, sua nova casa.

Borboleta em casulo se abre
Raro é tal momento
Segurança precisa, repouso
Muito mais paz e alento.

Borboleta em casulo se abre
Não quer voar de flor em flor
Procura a flor perfeita
Não quer mais aperto ou dor.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Silêncio


Enquanto falo agradeça, pois pode ser que venha o dia em que o silêncio virá.

Nesse dia nem um só ricochetear de língua,
Nenhuma gotícula de saliva,
Nenhum som de mim sairá.

Enquanto falo agradeça, pois pode ser que venha a hora do sol findar.

Nesse dia nem mesmo um raio de luz se fará
Nenhuma flor abrirá
De trevas teu céu se encherá.

Enquanto falo agradeça, pois pode ser que venha a Era do Calar.

De mim nenhuma palavra sairá, nenhum som se ouvirá
Nenhum sentimento se pronunciará, nenhum gesto de carinho será visto
Enquanto movo, insisto.

Pois pode ser que, um dia, minha ressonância venha a cessar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agradecida

Muito obrigada por, em uma só frase, me devastar.

Agradeço também a insensibilidade

E tamanha rispidez com que me veio falar.

É fato agora marcado em minha memória,

É atitude que não mais verei.

Agradecida verdadeiramente estou.

Mais uma página a virar.


É essa a parada!

Cansei, calei, saí, voltei.
Dormi, sonhei, comi, bebi.
Conversei, falei, perguntei, esperei.
Me irritei e é essa a parada que dei.

Cansava, calava, saía, voltava.
Dormia, sonhava, comia, bebia.
Conversava, falava, perguntava, esperava.
Me irritei e essa foi a parada que dei.

Canso, calo, saio, volto.
Durmo, sonho, como, bebo.
Converso, falo, pergunto, espero.
Me irritei e é essa a parada que dei.

Mas já não quero me cansar mais - desgasta
Embora meu calar seja mais e mais presente - me afasta
E se sair deixarei meu coração - numa caixa
E voltando lavo minhas mãos - dei um basta.

Durmo, mas recebo sempre a visita da insônia - companheira
Sonho, e mesmo só realizo - guerreira
Como, mas parei de engolir - abolindo a canseira
Bebo, e mesmo assim sinto sede - não tô aqui de bobeira.

Conversei e não fui levada a sério.
Falei e não fui compreendida.
Perguntei e fui tomada como maluca.
Espero. Vou curando minha nova ferida.

Hoje boto meus cavalos na estrada,
Armo meus cavaleiros.
Minhas asas sacudo,
Ganhar o mundo, abaixar a poeira.

sábado, 6 de agosto de 2011

SMS

" Vc me surpreende, não imaginava que fosse tão fria. Tratar a mágoa que causou como ultraje!? Mas quando pedimos desculpas reconhecemos alguma ação errada. Não sei como estamos e nem se há motivo para tanto... Quero entender para me colocar no meu antigo ou novo lugar."


4 vezes antes me feriu com golpes mortais
4 vezes antes mostrei que deveria ser diferente
4 vezes antes me magoou,
Mas o erro é meu, só meu.

Deveria ter aceitado tudo que veio sem reclamar?
Deveria ter feito tudo sem discutir?
Deveria ter relevado e aceitado seu modo "livre" de vida?
O erro é meu, só meu e meu.

Sou um segredo grande demais para esconder,
Segredo com voz ativa e altiva,
Grande demais para ser colocado numa caixa.
Erro meu. Mais um erro meu.

Se não deseja ficar, por favor vá embora, pois estou cansada demais de vãs promessas e juras, de sonhos assassinados e falsas falas. Meu coração é frágil, não merece isso. Meu erro.

Pedir desculpas é ação de humildade
Pedir desculpas é dar o próximo passo,
Pedir desculpas é querer que o presente se torne passado,
Erro meu em pedir desculpas também.

Minha frieza fala quando minha alma é ferida.
Minha frieza fala quando minha cabeça já não aguenta mais,
Minha frieza fala quando meu coração é mal tratado.
Erro meu.

O lugar onde quer estar é seu
Cabe a você e não a mim decidir
Não serei eu a escolher esse passo do seu caminho,
E me perdoe novamente se erro.



Calma aí!

Silêncio!

Cala-te e observa o mundo de fora
Pois não é hora de falar.
Quando o silêncio for por demasiado pesado
É momento do calmante se mostrar.

Silêncio aí dentro!

Cala-te e observa calada
Tua hora de expor ainda não é chegada
Teus sentimentos aqui não valem nada
Enxuga tuas lágrimas pois é hora de se recompor.

Silêncio!

Cala-te e observa apenas
Tua alma é para ti, temas
Pois momento propício jamais há de chegar
Em que abras tua boca e a compreensão se fará.

Silêncio agora!

Cala-te somente
E sê eternamente paciente
Calma com uma pluma que cai, como o som que sai na hora do estouro do espumante
Sê como um calmante.

Silêncio!

Cala-te!

A pílula fala...
A dor se instala.
O torpor se aproxima...
A solidão é prima.

Silêncio!

Cala-te eternamente!

A inconsciência consciente...
A lágrima constante.
O desligar-se do mundo...
O agito surdo.

Silêncio!

Cala-te!

Sempre...